Queda nos índices de leitura entre crianças e adolescentes, escolas enfrentam o desafio de incentivar o hábito

Queda nos índices de leitura entre crianças e adolescentes, escolas enfrentam o desafio de incentivar o hábito

 

Dia Nacional do Livro Didático, celebrado em 27 de fevereiro, reacende debate sobre aprendizagem e leitura

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Em um cenário em que crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo diante das telas, o hábito da leitura perde espaço. A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, aponta que o país vem registrando redução no número de leitores, especialmente entre os mais jovens. O dado preocupa educadores, já que a leitura está diretamente ligada ao desempenho escolar e ao desenvolvimento das habilidades de escrita e interpretação.

Ler não é importante apenas para cumprir as tarefas da escola. É por meio dos livros que os estudantes ampliam o vocabulário, desenvolvem senso crítico e aprendem a argumentar. Quando o contato com a leitura diminui, surgem dificuldades de compreensão de texto, limitação de repertório e até insegurança na hora de se expressar, consequências que acompanham o aluno dentro e fora da sala de aula.

Em Palmas, o Centro Educacional São Francisco de Assis (Cesfa) aposta na leitura como parte central do processo pedagógico. Segundo a professora de Língua Portuguesa, Marcela Abdala, o trabalho começa cedo e é planejado de forma contínua. “A leitura não aparece apenas como atividade pontual. Ela faz parte da rotina. Desenvolvemos rodas de leitura, produção de resenhas e releituras criativas que ajudam o aluno a perceber que o livro pode ser uma experiência prazerosa, além de formativa”, explicou. A escola também desenvolve práticas de leitura em língua inglesa, integradas ao currículo bilíngue.

No último ano, a escola realizou um Sarau Literário, que reuniu literatura, teatro, música, poesia, dança e produções audiovisuais. Alunos puderam transformar as obras trabalhadas em sala, por exemplo, em interpretações. Para a diretora Cláudia Cristiane de Andrade, projetos como esse ajudam a consolidar o hábito da leitura porque criam vínculo e significado. “O livro didático é uma ferramenta fundamental, pois organiza o percurso pedagógico e garante o acesso ao conteúdo. Mas a formação do leitor vai além. Ela se fortalece quando o estudante tem diferentes experiências com a leitura, em momentos que despertam emoção, reflexão e participação”, afirmou.

A coordenadora pedagógica Felisneide Sousa Tavares destaca que a leitura é parte essencial da missão educativa da escola. Segundo ela, neste ano será desenvolvido o projeto “Formando leitores para a vida, com valores Franciscanos”, com ações bimestrais como clube da leitura, estante solidária, feiras literárias, podcast, autor do mês, cafés literários e sarau, incentivando o protagonismo estudantil e envolvendo também as famílias e a comunidade. “Essas e outras atividades, envolvem não apenas os estudantes, mas também as famílias e a comunidade em geral”, afirma a coordenadora.

Celebrado em 27 de fevereiro, o Dia Nacional do Livro Didático reforça a importância desse instrumento na educação brasileira. Desde o século XIX, o livro didático ocupa espaço central nas escolas e, atualmente, é escolhido com base no Guia do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). Em muitas realidades, ele ainda é o principal ponto de contato das crianças com a leitura, o que torna ainda mais urgente o papel das escolas em transformar esse contato em hábito.

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