Receita cruza dados de empresas, bancos e planos de saúde e erros simples podem levar à malha fina

Receita cruza dados de empresas, bancos e planos de saúde e erros simples podem levar à malha fina

Contribuintes devem acompanhar o processamento da declaração e corrigir pendências antes de intimação ou notificação

A entrega do Imposto de Renda terminou há meses, mas o processamento das declarações continua. Em outubro, contribuintes que ainda aguardam restituição ou não acompanharam a situação no Meu Imposto de Renda podem descobrir que a declaração ficou retida por alguma divergência entre os dados informados e as informações enviadas por empresas, bancos, planos de saúde e prestadores de serviço.

A Receita Federal iniciou neste mês o envio de cartas a 498.487 contribuintes com a declaração de 2026 retida em malha fiscal. A medida busca estimular a autorregularização antes de uma intimação ou notificação formal. Estar na malha não significa, necessariamente, fraude ou imposto a pagar, mas indica que alguma informação precisa ser conferida, corrigida ou comprovada.

Na prática, as pendências podem surgir em situações comuns. Um contribuinte que recebeu aluguel de imóvel pode esquecer de declarar parte desses valores. Quem fez saque de previdência privada ou teve rendimento de aplicação financeira pode não conferir o informe do banco antes de enviar a declaração. Também podem ocorrer divergências em despesas médicas, recibos emitidos com dados incorretos, pagamentos lançados em valor diferente ou despesas incluídas sem o comprovante adequado.

Segundo Andressa Garcia, especialista contábil da Aliança Assessoria Contábil e Financeira, o erro mais comum é acreditar que a obrigação acaba no momento do envio. “Depois que a declaração é transmitida, a Receita cruza os dados com informações recebidas de várias fontes. Uma diferença de valor, um rendimento que ficou de fora ou uma despesa sem documentação pode travar o processamento. Por isso, o contribuinte precisa acompanhar a declaração e guardar os comprovantes que sustentam aquilo que informou”, explica.

A consulta pode ser feita pelo serviço Meu Imposto de Renda, no site ou aplicativo da Receita Federal, com conta gov.br. Ao identificar uma pendência, o contribuinte deve primeiro entender a origem da divergência. Em alguns casos, será necessário corrigir a declaração por meio de uma retificadora. Em outros, a informação declarada pode estar correta e o contribuinte precisará apenas apresentar documentos que comprovem os dados enviados.

Para Andressa, entender a origem da pendência é o primeiro passo para resolver o problema da forma correta. “Se houve erro de preenchimento, rendimento esquecido ou despesa lançada incorretamente, o caminho geralmente é retificar. Mas, quando a informação declarada está correta e a Receita pede comprovação, o contribuinte precisa reunir documentos para sustentar aquilo que informou. O mais importante é não ignorar a pendência, porque acompanhar cedo evita atraso na restituição e reduz o risco de o problema avançar para uma notificação”, orienta.

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